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resenha: O Imaginário da Magia, de Francisco Bethencourt.

Sou completamente apaixonada por bruxas e tenho em mente que todas as meninas e mulheres são, principalmente quando descobrimos toda a liberdade que vem ao lado dessa palavra. Aqui o lema é nada de princesas, nada de romance, só vale nada mais, nada menos que ser a protagonista de sua própria história. E quando recebi o livro do Bethencourt, senti meu coraçãozinho aquecido e um sentimento enorme de gratidão por finalmente estarmos sendo ouvidas, estudadas e digo com orgulho que hoje somos partes da história. E sim, me considero bruxa e acredito que todas que almejam libertação também!

O Imaginário da Magia, Feiticeiras, adivinhos e curandeiros em Portugal, no século XVI, é uma obra do historiador português Francisco Bethencourt. Através de pesquisa minuciosa nos arquivos da Inquisição, foi recuperada uma visão mágica do mundo, destacando o significado simbólico e social da feitiçaria e das práticas mágicas em Portugal, durante o século XVI.

Essa obra está disponível na Livraria Feminista por tempo limitado!

Como poucos sabem, ainda hoje, a visão historiográfica de Portugal Quinhentista é focalizada num nível cultural, institucional e político protagonizado pelos estratos mais elevados da população. Isso, acaba deixando de fora a vida cotidiana dos trabalhadores da terra, camponeses, artesãos, pequenos comerciantes: estratos geralmente não letrados, que representam mais de 80% de uma população em luta incansavelmente pela sobrevivência.

Seguindo essa visão, a obra traz perguntas cruciais para o seu desenrolar:

  1. Como essas pessoas enfrentavam suas dificuldades pessoais e familiares, ou seja, os problemas básicos de dinheiro, saúde, relações amorosas?
  2. Qual era sua percepção das possibilidades de influenciar os outros e de obter apoio?
  3. A sua visão do mundo seria exclusivamente definida pela Igreja e pela preparação da vida para além da morte?
  4. Qual era a percepção real do universo e das forças que o dominam?
  5. Qual a percepção do poder do homem face a essas forças?

Com base nessas perguntas, Bethencourt identifica uma visão mágica do mundo, que se encontrava difusa em toda a população, inclusive nos estratos mais elevados, com uma forte base de cultura oral, mas com ramificações na cultura escrita.

Através de inúmeros relatos das próprias feiticeiras, bruxas, adivinhos e curandeiros aos juízes dos tribunais da Inquisição, o autor recupera, num trabalho minucioso e de grande erudição, o significado simbólico e social dessa visão mágica, realizando um levantamento cuidadoso dos agentes mágicos e suas práticas, das crenças e da visão demonológica projetada por juízes e inquisidores, do espaço social desses agentes e da “máquina” de repressão inquisitorial.

Para evitar interpretações enviesadas, Bethencourt recorreu a autores pouco convencionais à historiografia tradicional, como Wittgenstein, Cassirer, Dumézil ou Evans Pritchard, além de escritores como Gil Vicente, Sá de Miranda ou Luís de Camões – que fazem extraordinárias representações de agentes mágicos, encenações de prodígios e de assombrações, narrativas nas quais sobressaem as contaminações entre o sagrado e o profano, o miraculoso cristão e o maravilhoso pagão.

Atenção, o livro está disponível na Livraria Feminista e está sendo realizado um sorteio no nosso Instagram dessa obra maravilhosa! Não perca a oportunidade!

 

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