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A necessidade de falar sobre gênero nas escolas e os boatos do Jair Bolsonaro.

Não é de hoje que o tão falado Jair Messias Bolsonaro, então no seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados do Brasil, traz à tona o livro do autor suíço Zep, com ilustrações da francesa Hélène Bruller intitulado de Aparelho Sexual & Cia, assim sendo para evitar possíveis transtornos e interpretações errôneas já adiantamos:

Todos os argumentos utilizados para o repúdio ao livro são falsos.

A obra nunca foi distribuída nas escolas. E muito menos consta nas Bibliotecas Municipais.

Sim, exatamente o que você leu acima e esse boato têm sido desmentido desde 2013, já que o próprio Ministério da Educação já havia respondido oficialmente à imprensa que:

A informação sobre a suposta recomendação é equivocada e que o livro não consta no Programa Nacional do Livro Didático/PNLD e no Programa Nacional Biblioteca da Escola/PNBE. 

O ministério também disse que a revista Nova Escola, edição 279, de fevereiro de 2015, que traz a matéria “Educação sexual: Precisamos falar sobre Romeo…”, uma reportagem sobre sexo, sexualidade e gênero, dirigida a professores:

Não é uma publicação do Ministério da Educação (MEC), e sim da Editora Abril. (…) O vídeo que apresenta as obras como sendo do MEC, em nenhum momento, comprova a vinculação do Ministério aos materiais citados, justamente porque essa vinculação não existe.

E até o evento que o Deputado afirmou estar ocorrendo, jamais existiu, ou seja: parem de acreditar em absurdos que qualquer um faça pela internet sem qualquer embasamento, somente para propagar o ódio e o preconceito.

Mas, o que os Parâmetros Curriculares Nacionais dizem a respeito da orientação sexual e discussão sobre gênero nas escolas?

A orientação sexual e as discussões sobre gênero, como temas transversais nas escolas, surgem não para substituir o que os pais ensinam em casa, mas sim para complementar de forma cientifica o aprendizado que eles já trazem na bagagem. Sabemos que existem pais que possuem dificuldades para conversar sobre o assunto com os filhos, e por isso é necessário que a escola aborde este tema para que crianças e adolescentes saibam se prevenir de problemas como doenças sexualmente transmissíveis, abusos sexuais e até mesmo uma gravidez indesejada.

Ao falar sobre gênero na escola, ninguém pretende dizer às crianças e adolescentes que “não existe” homem ou mulher, ou fazê-los “perder” sua identidade. A questão é justamente compreender que socialmente nos relacionamos a partir de papéis que definem quem pode fazer o quê. Essa definição implica sérias limitações: meninas, por exemplo, não são estimuladas a desenvolverem suas habilidades matemáticas – porque as ciências exatas são campos de domínio masculino. 

Daniela Rosendo e Tamara Gonçalves para o Justificando.

É importante ter consciência de que em nenhum momento a escola pretende quebrar valores e crenças. A orientação sexual e as discussões sobre gênero nas escolas não tentam substituir e nem querem competir com os valores trazidos pelo a criança ou adolescente, mas sim somente complementar e/ou iniciar. É necessário, precisamos disso urgentemente.

O docente, ao tratar este tema tem plena consciência do que faz e sabe que é preciso ao abordar este assunto se distanciar com suas opiniões e crenças e analisar o tema de forma abrangente, cientifica e pedagógica., afinal são profissionais preparados, não é mesmo? Sem imposição de valores, mas considerando cada um dos indivíduos durante esse processo de ensino-aprendizagem.

A escola deve asseverar aos pais segurança ao tratar este tema e mais: convidá-los também para discussões, encontros e reuniões sobre como a orientação sexual será abordada com seus filhos. Essa transparência é fundamental nesse momento e auxiliará na produção de conhecimento e garantirá a saída da desinformação e ignorância, contribuindo felizmente para a quebra deste tabu.

Os debates sobre gênero visam incluir sujeitos tradicionalmente excluídos – mulheres, transexuais, bissexuais, lésbicas, assexuais, homossexuais, indígenas, negras e negros – e trazer visibilidade aos mecanismos de opressão a que se encontram sujeitos. Trata-se de uma estratégia que busca justamente a reversão dessas opressões por meio do desvelamento dessas estruturas limitantes. O resultado é a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, voltada para um conceito de todos que realmente seja inclusivo.

Daniela Rosendo e Tamara Gonçalves para o Justificando.

Você sabe a diferença sobre os termos que estamos usando?

Se você quiser conhecer mais, aprenda com quem tem voz no assunto, segue alguns links com depoimentos de pessoas sobre alguns gêneros:

Mulher Trans, por Bárbara Aires.
Transgênero, por Laerte Coutinho.
Mulher Cis, por Fraulem Damasio.
Não-binário, por Oliver Costa.
Homem Trans, por João W. Nery.
Mulher Trans, por Joana Couto.
Pangênero, por Lucas Rangel.
Homem Cis, por Henrique Marques.
Travesti, por Laura Mendes.

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