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Centro Universitário São Lucas, omissão também é crime.

Carol* tem 17 anos e começou a cursar faculdade em uma instituição prestigiada e conhecida do Estado de Rondônia.

Durante a primeira semana do mês de maio de 2018, em uma aula laboratorial, com mais de 30 alunos em sala, um rapaz até conhecido, colega de turma, começou a passar a mão nas coxas e virilhas de Carol, por debaixo da mesa.

Carol, sem reação tentou repreendê-lo inúmeras vezes, todas em vão.

Graças a alguns olhares repreensivos, Fábio* se afastou por um tempo, até que no horário seguinte, decidiu tentar novamente, só que dessa vez, usando as penas.

Em todo momento ameaçou-a com os olhos, coagindo-a. Carol não conseguiu reagir, só sentia vontade de chorar, sumir.

Em nenhum momento houve consentimento.

Carol tentou desesperadamente gritar, estava perdida, sem saber como reagir. Jamais imaginou que Fábio, colega de turma, sempre faziam trabalhos juntos, seria capaz de tal ato.

Fábio, não era um estranho, não era um desconhecido, mas sim um rapaz bem-conceituado, de boa família, fora de qualquer suspeita.

A coordenação, que está sofrendo ameaças, falou que faria o possível, mesmo esse “possível”, não estando dentro dos protocolos para esse tipo de situação.

A instituição quer que o assunto seja abafado, afinal não é bom para a imagem dela.

Hoje, quase um mês depois do ocorrido, nada foi feito.

Fábio está fazendo várias ameaças a todos os que o denunciaram. Decidiu sair da instituição e seguir com a vida dele normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Denúncia feita pela jovem nas redes sociais:

Hoje eu vim aqui falar sobre violência sexual. Ou melhor, vim falar da minha própria experiência, eu fui abusada dentro da minha própria faculdade! Estranho, né? Temos vidas tão corriqueiras, que às vezes nem paramos para prestar atenção nas nossas colegas de sala, ou naquela moça que senta ao lado da gente no ônibus… E é aí onde a violência se esconde. Você não precisa ser estuprada, espancada e amordaçada em uma rua escura por um desconhecido pra aí sim dizer que foi violência. A violência mora nos pequenos atos que muitas das vezes nem percebemos que está ali.

E foi exatamente assim que aconteceu comigo.

Dentro da minha própria faculdade.

Com mais de 30 pessoas dentro de uma sala.

Um cara que eu considerava amigo, sempre nós falávamos e não era à toa que eu estava no mesmo grupo de trabalho com ele, onde o mesmo passou a mão em mim por de baixo da mesa da forma mais nojenta e com o olhar mais ameaçador que você pode imaginar e mesmo eu pedindo incontáveis vezes pra ele parar, ele não parava. Me senti coagida por não saber como agir, porque tudo o que eu consegui sentir foi vergonha, ele despiu a minha dignidade ali mesmo e não só abusou do meu corpo, como da minha honra como mulher também. E depois disso vieram muitos mais olhares intimidadores e então, uma segunda tentativa. Começou a encostar e roçar suas pernas nas minhas embaixo da mesa de uma maneira até mais nojenta do que da primeira vez, e eu só sentia vontade de gritar que logo era abafada por uma vontade maior ainda de chorar, e maior do que isso, vontade de sair do meu corpo só pra não sentir o toque pervertido dele mais uma vez. E quantas vezes isso vai ter que acontecer não só comigo, mas com MILHARES de meninas que passam por isso nos mais diversos lugares e das mais diferentes formas? Não deixem o pior acontecer. Falem, gritem, exponham. Façam o que eu até então não tive coragem de fazer até então. Se você já passou por isso, não tenha medo, nós estamos com você. Compartilhe esse texto e conte seu relato também. O assédio só acaba quando a gente acaba com o silêncio.

Nota de esclarecimento sobre denúncia de assédio sexual dentro do UNISL

Publicada em 30/05/2018 por Assessoria de imprensa.

*Todos os nomes foram preservados.

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